Diário Proibido

 

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Belén Fabra em "Diário Proibido", de Christian Molina: história de ex-prostituta como jornada de uma mulher em busca da descoberta e entendimento do próprio corpo

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DiÁRIO DE UMA NINFOMANÍACA: livro sobre as aventuras sexuais da francesa Valerie Tasso adaptado para o cinema

20/11/2009

 

"Diário Proibido", adaptação da autobiografia da francesa Valerie Tasso, narra a trajetória de uma ex-prostituta

Valerie Tasso é uma mulher elegante de 40 anos, belíssima, de gestos delicados e que exala simpatia e sexo. Encantadora para mulheres e homens.

Falando fluentemente várias línguas, com diplomas em duas universidades, Valerie é uma ex-prostituta que se tornou celebridade em toda a Europa e nos EUA ao colocar em livros - que se tornaram "best sellers" - as suas aventuras sexuais como uma ninfomaníaca.

Valerie Tasso começa a ser conhecida no Brasil através de "Diário Proibido", o filme do espanhol Christian Molina, a adaptação de seu primeiro romance autobiográfico, "Diário de una Ninfômana", editado em 2003, na Espanha. O filme estreia, hoje, no Multiplex UCI Ribeiro, às 21h30, e segue nas sessões do Cinema de Arte, amanhã às 10h45; e de segunda a quinta-feira na Faixa Nobre das 19h30.

Escritoras do sexo

Valerie integra uma seleta lista de ex-prostitutas que se dedicaram a transportar para a literatura as suas aventuras e desventuras amorosas. Bem recebidos pelo público, esses romances deram-lhes repentina notoriedade ao ocuparem a liderança ou um lugar de destaque nos "Rankings" e listas de "Best Sellers". Ficaram ricas, famosas e tiveram o primeiro livro adaptado para o cinema.

"Diário Proibido" surpreende como cinema. Obra de qualidade por seu roteiro atilado e preocupado em desenvolver um estudo psicológico em vez de uma simples dramatização da vida da personagem, adentra uma das questões mais delicadas para o cinema, que é a sexualidade feminina.

Neste quesito, o filme faz um estudo da personalidade de uma mulher obcecada pelo sexo, abrindo uma discussão ainda maior: o direito dela ao seu próprio corpo.

"Diário Proibido" não desperdiça a chance de expor os conflitos de uma mulher com a sua sexualidade. Conflitos que surgem em etapas, a partir da adolescência, com a perda da virgindade. O primeiro deles, o espanto perante o não sangramento e a ausência de prazer. Prazer que, depois, vem aos poucos, mas de forma insaciável.

Numa das passagens do filme, do qual ela é narradora, Valérie expressa que fazer sexo "é como uma mescla de energia com a outra pessoa que me faz viajar e me fundir com o Cosmos. A energia de um orgasmo é uma pequena parte que se vai. Acaba mesclando-se com o universo, como numa viagem sideral que me leva ao infinito". É na busca da repetição constante dessa viagem que ela sai numa jornada pelo sombrio mundo dos homens.

A necessidade constante do sexo, que se multiplica em casos com desconhecidos à rua (no livro ela relata até uma transa com um coveiro num cemitério), leva-a a se julgar como uma ninfomaníaca. Uma das colocações mais interessantes do enredo, o diálogo entre Valérie e a avó (vivida por Geraldine Chaplin), revela muito das pretensões do filme ao dar dignidade à sua personagem.

"Ninfomania, uma invenção dos homens para que as mulheres se sintam culpadas se saem da normalidade", diz-lhe a avó. "Cada uma é como é, e nada mais", ressalta. E finaliza com uma advertência: "Nunca renuncie a nada do que realmente deseja, ou se arrependerá. Quer um conselho? Aproveite a vida. O máximo que puder".

Perceba-se o elemento da solidão em Valérie. Solidão e vazio que se vislumbram no medo em não ser uma mulher normal, diante da possibilidade de não vir a construir a sua vida, com marido, filhos, vida social. O filme, de forma inteligente, explora o íntimo de uma mulher que, entre o medo e o conflito, se embrenha numa jornada em busca de descobrir como é o seu corpo. Um entendimento de si mesma.

Nesse contexto, Molina conduz com serenidade uma história que poderia soar como escandalosa e com banais cenas de sexo. Mas, não, segue em direção contrária, dividindo a jornada de Valerie em três etapas: a mulher em conflito com o corpo; a mulher que se transforma em prostituta para promover descobertas; e finalmente a mulher que passa a conhecer o próprio corpo.

Ao tratar da busca da mulher pela libertação de seu corpo, "Diário Proibido" é uma das grandes surpresas do ano.

Mais Informções:
Diário Proibido (Diario de uma ninfômana, Espanha, 2008), de Christian Molina, com Belén Fabra, Leonardo Sbaraglia e Angela Molina. Multiplex UCI Ribeiro. Hoje, 21h30; amanhã, 10h45. De segunda a quinta feira, 19h30. 95 minutos. 18 anos.

Ex-prostituta, rica, bonita e famosa

A francesa Valerie Tasso , nascida na França em 1969, foi para a Espanha ainda adolescente. Lá vivenciou sua polêmica trajetória.Famosa e rica ao relatar sua vida num romance autobiográfico, "Diário de uma Ninfomana" (inédito no Brasil). Diplomada em Gestão de Empresas, poliglota, escritora, ativista dos direitos das trabalhadoras sexuais na Espanha, acaba de se formar em Sexologia. Uma senhora casada e mãe de três filhos. "Libertina, libertária por vocação e um pouco livre", é como se define.

O marido, o espanhol Jorge dos Santos, 44, formado em Filosofia, pintor e escultor, conheceu há cerca de quatro anos, através de um psiquiatra. Ele estava há três anos em abstinência sexual e o encontro se transformou em surpreendente paixão. Ele a acompanha em todas as suas viagens. Ou seja, não a larga.

Valérie Tasso escreveu quatro romances autobiográficos, nenhum editado no Brasil. "Diário de uma Ninfômana" (2003), "Paris la Nuit" (2004), "El Otro Lado del Sexo" (2006) e "Antimanual del Sexo" (2008).

PEDRO MARTINS FREIRE
CRÍTICO DE CINEMA

 

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